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Musicoterapia para idosos: demência e bem-estar

Como a musicoterapia atua na memória e no humor de idosos — incluindo Alzheimer — segundo revisões da Cochrane e diretrizes internacionais.

25 de junho de 20267 min de leitura

A musicoterapia é o uso clínico da música por profissional formado em Musicoterapia (regulamentado no Brasil pela União Brasileira das Associações de Musicoterapia). Em idosos, é uma das intervenções não-farmacológicas com melhor base de evidência para sintomas comportamentais e psicológicos da demência.

O que a evidência mostra

  • Demência: revisão Cochrane (van der Steen et al., 2018) concluiu que musicoterapia provavelmente reduz sintomas depressivos e melhora bem-estar em pessoas com demência institucionalizadas, com efeito menor sobre agitação e cognição.
  • Depressão em idosos: meta-análises mostram efeito moderado sobre sintomas depressivos quando comparada a cuidado usual (Zhao et al., Int J Geriatr Psychiatry, 2016).
  • Doença de Parkinson: ritmo e canto têm efeito sobre marcha e fala (treino com pistas auditivas rítmicas).
  • Pós-AVC: musicoterapia neurológica auxilia na recuperação motora e da linguagem em afasia (terapia melódica entoacional).

Por que funciona em demência

A memória musical autobiográfica é uma das últimas a se preservar — pacientes que já não reconhecem familiares ainda cantam músicas da juventude. Esse acesso oferece uma via de comunicação e regulação emocional quando a linguagem verbal falha. Pesquisas com neuroimagem mostram preservação de redes auditivo-motoras e límbicas em estágios moderados de Alzheimer.

Como é uma sessão

  • Individual ou em grupo, 30 a 60 minutos.
  • Pode envolver escuta ativa, canto, percussão corporal, instrumentos simples.
  • Repertório escolhido a partir da história de vida da pessoa.
  • O objetivo é terapêutico — humor, comunicação, memória, movimento — não performance.

Música em casa: o que o cuidador pode fazer

Mesmo sem musicoterapeuta, ouvir música significativa diariamente tem efeito documentado. Monte uma playlist personalizada com músicas dos 15 aos 30 anos da pessoa (período de maior consolidação da identidade musical), use em momentos de agitação ou apatia, e observe a resposta. Iniciativas como o Music & Memory (EUA) demonstram redução do uso de psicotrópicos com essa estratégia simples.

Fontes

  • van der Steen, J.T. et al. Music-based therapeutic interventions for people with dementia. Cochrane Database, 2018.
  • Zhao, K. et al. Music therapy as an adjunct to standard treatment for depression in older adults. Int J Geriatr Psychiatry, 31(11), 2016.
  • Thaut, M.H. Rhythm, Music and the Brain. Routledge, 2008.

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