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Reabilitação pós-AVC: terapia ocupacional acelera

O que esperar das primeiras semanas após o AVC, as fases da reabilitação e o trabalho da TO para recuperar autonomia em casa.

24 de junho de 20268 min de leitura

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda causa de morte e a principal causa de incapacidade adquirida no Brasil, com cerca de 400 mil novos casos por ano (Ministério da Saúde/DATASUS, 2022). Ao contrário do que se pensava até os anos 1990, o cérebro adulto mantém plasticidade — a capacidade de reorganizar circuitos em resposta ao uso — e a reabilitação intensiva iniciada precocemente é o principal determinante do resultado funcional (Winstein et al., Stroke, 2016, diretriz da American Heart Association).

As fases da reabilitação

Fase aguda (primeiros dias a 2 semanas)

Ainda no hospital, o foco é prevenir complicações (úlceras de pressão, contraturas, tromboembolismo), iniciar mobilização precoce e estimular o uso do lado afetado. A terapia ocupacional entra nas primeiras 48 a 72 horas — quando clinicamente estável — com posicionamento, exercícios passivos e ativos de membro superior e treino básico de autocuidado. Mobilização precoce, feita com critério, associa-se a melhor recuperação funcional (AVERT Trial, The Lancet, 2015).

Fase subaguda (2 semanas a 6 meses)

É a janela terapêutica mais valiosa. Trabalhamos com alta intensidade em tarefas funcionais: pegar objetos, vestir-se, escovar os dentes, escrever, cozinhar. Estratégias com evidência consistente:

  • Terapia por contenção induzida (CIMT) — restringe o membro não afetado para forçar o uso do afetado (Wolf et al., JAMA, 2006).
  • Prática repetitiva específica de tarefa — treinar a tarefa exata que se quer recuperar, com repetições suficientes.
  • Terapia bilateral e treino em espelho para hemiparesia.
  • Reabilitação cognitiva estruturada para atenção, memória e funções executivas.

Fase crônica (após 6 meses)

Ganhos ainda são possíveis — a antiga ideia de "platô aos 6 meses" foi refutada. O foco passa a ser participação social, retorno ao trabalho quando viável, adaptação do ambiente domiciliar, tecnologia assistiva e prevenção de recidiva (controle de pressão, glicemia, atividade física).

O que a terapia ocupacional trabalha

  • Recuperação do uso do braço e da mão afetada, com foco em preensão funcional.
  • Reaprendizagem de atividades de vida diária (banho, vestir, alimentação, transferências).
  • Funções cognitivas: atenção, memória, planejamento, resolução de problemas.
  • Manejo de negligência unilateral, apraxia e afasia (em conjunto com fonoaudiologia).
  • Adaptação da casa, indicação de órteses e tecnologia assistiva.
  • Orientação estruturada ao familiar cuidador.

Quando procurar

Idealmente, a TO deve começar ainda no hospital, indicada pela equipe. Após a alta, procure avaliação assim que possível se o paciente:

  • Tem dificuldade no uso do braço, da mão ou nas tarefas diárias.
  • Perdeu autonomia em banho, vestir-se, alimentação ou transferências.
  • Apresenta esquecimento, desorientação ou mudança de comportamento.
  • Não voltou a atividades significativas (trabalho, dirigir, lazer).
  • Está em fase crônica e nunca fez reabilitação — ainda há espaço para ganhos.

Quanto tempo dura o tratamento

Depende da extensão da lesão, do tempo desde o evento e da resposta individual. O que a literatura sustenta é intensidade e regularidade: sessões duas a três vezes por semana, combinadas com "tarefa de casa" diária, produzem mais ganho do que sessões espaçadas. Em Feira de Santana, a Recomeçar Vida e Saúde oferece avaliação completa pós-AVC, plano terapêutico individual e articulação com fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia — todos os profissionais têm registro ativo em seus conselhos (CREFITO, CREFONO, CFP).

Fontes

  • Winstein, C.J. et al. Guidelines for Adult Stroke Rehabilitation and Recovery (AHA/ASA). Stroke, 47(6), 2016.
  • AVERT Trial Collaboration Group. Efficacy and safety of very early mobilisation within 24 h of stroke onset. The Lancet, 386(9988), 2015.
  • Wolf, S.L. et al. Effect of constraint-induced movement therapy on upper extremity function 3 to 9 months after stroke (EXCITE Trial). JAMA, 296(17), 2006.
  • Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do AVC no Adulto, 2013 (atualizada 2020).
  • COFFITO. Resolução nº 500/2018 (atuação da TO em neurologia).

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